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Castanha-do-pará
da floresta para a sua mesa

 

Resposta rápida

A castanha-do-pará muda tanto de preço porque vem da coleta em castanheiras nativas da Amazônia, e o tamanho da safra depende do clima de mais de um ano antes. Em 2025, depois de uma seca severa, a produção brasileira caiu 24,5%, segundo o IBGE. Para a safra 2026/27, os relatórios do setor indicam recuperação.

Coleta

em castanheiras nativas da Amazônia

24,5%

foi a queda da produção brasileira em 2025, segundo o IBGE

2026/27

safra com recuperação nos relatórios do setor

Castanhas-do-pará inteiras sem casca
 

De onde vem a castanha-do-pará e como ela é colhida?

A castanha-do-pará é a semente da castanheira (Bertholletia excelsa), árvore nativa da Amazônia que chega perto de 50 metros de altura, e é coletada no chão da floresta. Segundo a Embrapa, o fruto, chamado de ouriço, pesa de 1 kg a 2 kg, cai inteiro e precisa ser aberto à mão para liberar de 5 a 25 castanhas. A coleta vai de novembro a abril, e a Conab situa a frutificação entre dezembro e abril. Os estados produtores são Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima. Em 2025, o Amazonas liderou, com 9,4 mil toneladas, segundo o IBGE.

Do ouriço ao pacote, cada etapa pesa no preço final:

  • Coleta e quebra: os ouriços são juntados na mata e abertos à mão.
  • Secagem: a Embrapa recomenda secagem rápida e armazenamento seco e arejado para preservar a qualidade.
  • Descascamento: segundo estudo publicado em 2022 com pesquisadores da Embrapa, 2,5 kg de castanha com casca rendem 1 kg sem casca.
  • Valor na cadeia: a Conab cita, como referência, de R$ 5 a R$ 20 por quilo da castanha in natura nas praças produtoras, de R$ 25 a R$ 35 depois do beneficiamento e de R$ 40 a R$ 60 na exportação ou em mercados especializados.
 

Por que a safra muda tanto de um ano para o outro?

A safra muda porque depende do clima na floração, que acontece mais de um ano antes da coleta. Em nota técnica de março de 2025, pesquisadores de várias unidades da Embrapa explicam que o El Niño de agosto de 2023 a maio de 2024 trouxe uma das secas mais severas das últimas décadas na Amazônia. O calor na época da floração afetou as abelhas polinizadoras e causou aborto de flores e frutos pequenos, o que comprometeu a safra 2024/2025. Não foi a primeira vez. O estudo de 2022 com pesquisadores da Embrapa registra queda de cerca de 70% na safra de 2017, formada em 2015 e 2016, anos de El Niño forte.

Os fatores que mais pesam, segundo Embrapa e Conab:

  • Ciclo longo: a maturação do fruto leva cerca de 14 meses, então o clima de um ano aparece na coleta do ano seguinte.
  • Polinização: a flor depende de abelhas de médio a grande porte, sensíveis ao calor.
  • Clima e fogo: "variabilidade climática, estiagens prolongadas e incêndios florestais têm provocado instabilidade na oferta", resume o boletim da Conab.
 

O que aconteceu com o preço da castanha-do-pará em 2025 e 2026?

Em 2025, o preço subiu em toda a cadeia porque havia menos castanha. Segundo a Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) do IBGE, a produção caiu 24,5%, para 26,3 mil toneladas, enquanto o valor da produção subiu 7,2%, para R$ 209,6 milhões: cada tonelada passou a valer mais. Na origem, a lata de castanha com casca chegou a cerca de R$ 220 em março de 2025, segundo reportagem da Agência Embrapa. Para comparar, o estudo de 2022 registra a lata de 11 kg a R$ 50, em média, em 2016 e a R$ 120 em 2017, ano da quebra anterior.

No varejo, a alta apareceu nas pesquisas de preços da ceia de fim de ano. Em Uberlândia (MG), o CEPES, centro de estudos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), encontrou o quilo da castanha-do-pará sem casca a R$ 199,20 em dezembro de 2025, alta de 34,48% em um ano e a maior entre 18 produtos. Em Belo Horizonte, a pesquisa do site Mercado Mineiro apontou a castanha-do-pará inteira 65,93% mais cara em novembro de 2025 do que um ano antes.

Em 2026, o quadro mudou. O boletim da Conab do primeiro trimestre registrou queda do preço pago ao extrativista em março, na comparação com março de 2025, no Acre (37,4%), no Amazonas (39,0%) e no Amapá (63,0%), e alta no Pará (55,3%), em Rondônia e em Roraima. O mercado seguia aquecido, com preços bem acima do mínimo oficial. Em Belém, segundo o jornal O Liberal, o quilo da castanha descascada graúda estava entre R$ 120 e R$ 150 em julho de 2026, abaixo do pico de R$ 190 a R$ 200 do início do ano.

O governo também fixa um preço mínimo para a castanha com casca. Para a safra 2026, a Portaria MAPA nº 868/2025 definiu R$ 3,67 por quilo no Norte e em Mato Grosso, na política de preços mínimos para produtos da sociobiodiversidade (PGPM-Bio). Quando o extrativista vende abaixo desse valor, pode receber subvenção da Conab, o que não aconteceu no primeiro trimestre de 2026.

 

O que os relatórios dizem sobre a safra 2026/27?

Os relatórios do setor indicam uma safra 2026/27 bem maior que a anterior. A Commodity Board, publicação europeia de notícias de mercado, informou em julho de 2026 uma produção mundial projetada de cerca de 105,3 mil toneladas com casca, perto de 80% acima das 58,2 mil toneladas da safra 2025/26. Pelos dados do INC, conselho internacional do setor de castanhas e frutas secas, divulgados pela imprensa de mercado europeia, a Bolívia responde por cerca de 76% desse volume, e a parte do Brasil nessas estimativas passaria de 3,9 mil para 8,7 mil toneladas com casca. No Brasil, a Conab ligou a queda de preço no Acre à maior intensidade da colheita.

Dois cuidados ao ler esses números. Primeiro, o calendário: nos relatórios internacionais, a safra 2026/27 corresponde à castanha coletada entre o fim de 2025 e o início de 2026, vendida ao longo de 2026 e 2027; a quebra que a Embrapa chamou de safra 2024/2025 aparece neles como 2025/26. Segundo, a escala: os números do INC para o Brasil são bem menores que os do IBGE, que mede toda a produção extrativa do país, então as duas fontes não devem ser comparadas diretamente.

O que ainda não se sabe é como o clima de 2026 vai pesar nas próximas coletas. O Painel El Niño 2026/2027, boletim mensal do INMET, do INPE e de outros órgãos federais, apontou em outubro de 2026 um El Niño de forte a muito forte, com continuidade até pelo menos o primeiro trimestre de 2027 e previsão de chuva abaixo da média em grande parte da Amazônia Legal entre novembro e janeiro. Como a seca na floração só aparece nas coletas seguintes, esse é o ponto a acompanhar. E safra maior não garante, sozinha, preço menor na prateleira, que depende também de beneficiamento, transporte e câmbio.

 

Castanha-do-pará, do Brasil ou da Amazônia: qual o nome certo?

Os três nomes estão certos e designam a mesma semente, a da Bertholletia excelsa. Segundo a Embrapa, castanha-do-pará vem do período colonial, quando os embarques para a Europa saíam de Belém, na província do Grão-Pará. Castanha-do-brasil foi adotado oficialmente pelo Decreto Federal nº 51.209/1961, alinhado ao nome em inglês, Brazil nut, e é o mais usado no comércio. Castanha-da-amazônia é defendido por cientistas e produtores porque a árvore ocorre em toda a região e em países vizinhos. Em abril de 2025, a Assembleia Legislativa do Amazonas aprovou um projeto de lei que adota esse nome para os produtos do estado, segundo o Portal Amazônia.

Para a Embrapa, a padronização segue sem resolução. Aqui, a gente usa castanha-do-pará, nome também adotado pelo IBGE.

 

Como comprar castanha-do-pará sem pagar caro?

Para pagar menos por quilo, escolha a maior embalagem que você consegue consumir e guardar bem, e defina o formato pelo uso. Na D&A, em novembro de 2026, o quilo da castanha-do-pará inteira sai por R$ 159,60 no pacote de 250 g e por R$ 106,45 no de 2 kg, uma diferença de cerca de um terço. A castanha quebrada costuma custar menos que a inteira: em julho de 2026, comerciantes do Ver-o-Peso, em Belém, cobravam de R$ 50 a R$ 80 pelo quilo da quebrada e de R$ 100 a R$ 130 pela inteira, segundo o jornal O Liberal. Para farofa e receitas, a quebrada resolve.

Embalagem D&A Preço em novembro de 2026 Preço por quilo Para quem
250 g R$ 39,90 R$ 159,60 Quem quer provar ou servir poucas pessoas
500 g R$ 63,90 R$ 127,80 Tábua das festas para até 15 pessoas
1 kg R$ 115,90 R$ 115,90 Família que consome toda semana
2 kg R$ 212,90 R$ 106,45 Quem usa muito e tem onde guardar bem fechado

Conclusão: para a tábua das festas, o pacote de 500 g cobre até 15 convidados pela conta de 30 g por pessoa do nosso guia de castanhas e frutas secas para as festas de fim de ano. Para quem consome o ano todo, 1 kg ou 2 kg saem mais em conta, se o conteúdo ficar bem fechado, longe de luz, calor e umidade. O passo a passo está em como guardar castanhas e nozes para não ficarem rançosas.

D&A

Na D&A, a castanha-do-pará de 1 kg foi o produto mais vendido do site em novembro e dezembro de 2025. Ela é vendida inteira, sem casca, sem torra e sem sal, em pouch com fecho zip.

 

Perguntas frequentes

Castanha-do-pará com casca compensa?

Depende da conta. Segundo o estudo publicado em 2022 com pesquisadores da Embrapa, 2,5 kg de castanha com casca rendem cerca de 1 kg sem casca. Para comparar com a descascada, multiplique o preço do quilo com casca por 2,5. Some a isso o trabalho de quebrar a casca em casa.

Por que tanta castanha-do-pará vem da Bolívia?

Porque a Bolívia lidera a produção e a exportação. O estudo de 2022 com pesquisadores da Embrapa aponta a Bolívia com 71% do mercado mundial, e os dados do INC para a safra 2026/27 atribuem ao país cerca de 76% da produção. A castanheira também é nativa de Peru, Colômbia, Guiana, Suriname e Venezuela, segundo a Embrapa.

Existe castanha-do-pará plantada?

Existe, mas em pequena escala. Segundo a Embrapa, plantios começam a produzir a partir de 7 anos, e a árvore já foi cultivada fora da Amazônia, no Caribe, na África e na Ásia. A flor depende de abelhas de médio a grande porte para a polinização, e a produção brasileira registrada pelo IBGE vem do extrativismo.

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Se a castanha-do-pará está na sua ceia ou na rotina, compare o preço por quilo e escolha o tamanho que você consegue guardar bem. A castanha-do-pará inteira da D&A vem sem casca, sem torra e sem sal, em embalagens de 250 g a 2 kg.

Castanha-do-pará inteira sem casca 1 kg D&A Naturals

Castanha-do-pará inteira sem casca 1 kg

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D

Por Denis, sócio-fundador da D&A Naturals. Denis fundou a D&A com a Amanda em 2022 e acompanha a seleção dos produtos da loja.

Fontes consultadas

  1. Embrapa, Espécies Arbóreas Brasileiras, vol. 5, capítulo Castanha-da-Amazônia
  2. Queiroz, Homma et al., 'Produção e mercado dos produtos florestais não madeireiros: o caso da castanha-do-pará', Research, Society and Development, v. 11, n. 13, 2022 (autores da Embrapa Amazônia Oriental, UFPA, Unicamp e UFRA)
  3. Embrapa, nota técnica sobre impactos climáticos na safra 2024/2025 da castanha-da-amazônia (31/03/2025)
  4. IBGE, PEVS 2025, informativo (divulgado em 24/09/2026)
  5. Conab, Boletim Trimestral SocioBio Mais: Castanha-do-Brasil, edição 1/2026
  6. Portaria MAPA nº 868, de 1º de dezembro de 2025 (DOU de 02/12/2025)
  7. Agência Embrapa, reportagem republicada pelo Portal Amazônia (13/04/2025)
  8. CEPES/IERI/UFU, Observatório de Preços: pesquisa comparativa de preços da lista de produtos da ceia de fim de ano (dezembro de 2025)
  9. Pesquisa do site Mercado Mineiro, noticiada pela Tribuna de Minas (23/11/2025)
  10. Commodity Board (CMB News), imprensa de mercado europeia, 04/07/2026
  11. Mundus Agri (Der AUDITOR), imprensa de mercado europeia, 18/05/2026 e 19/08/2026, citando o INC
  12. INC, Nutfruit Global Crop Update, março de 2026
  13. O Liberal, 14/07/2026
  14. Painel El Niño 2026/2027, Boletim Mensal nº 05 (outubro de 2026), INMET e órgãos parceiros
  15. Embrapa, 'Batalha dos nomes: por que a castanha produzida na Amazônia tem tantos nomes?' (24/01/2025)
  16. Portal Amazônia (03/04/2025)
  17. Portal Amazônia, 'Qual o termo certo: castanha-do-pará, do Brasil ou da Amazônia?' (2023)